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Entrevista a Ricardo Alves
No universo dos escaladores portugueses, existem alguns que devido á sua dedicação e ao seu esforço, se tornam referências para alguns de nós. Estive a falar com Ricardo Alves "Macau" que nos conta algumas novidades...
Ricardo Alves
Repórter Bloca Bloca: Que idade tens e há quanto tempo escalas?
Macau: Tenho 28 e comecei a escalar aos 18

RBB: És conhecido á já algum tempo por fazeres bloco. Preferes o bloco á desportiva porque razão?
M: Sempre fui um escalador mais dotado para a força do que propriamente para a continuidade, pelo que o bloco desde os primeiros tempos sempre me cativou! Posso dizer que quando começei a escalar, vivia em Macau e dadas as limitações de rocha existentes, fui fazendo boulder e algumas travessias nas áreas possíveis!

RBB: Achas que um escalador para poder evoluir deve “ir lá para fora”?
M: Isso depende do que tens cá dentro... Mas acho que sim! Estando em Portugal só faz é bem fazer umas saídas para o exterior... abre a mente e incrementa a motivação!

RBB: Quando dizes "abre a mente" referes-te a quê?
M: Chamo abrir a mente, por exemplo sair da Guia (vias desportivas de 15m) e chegar a El Chorro (vias desportivas de 150m)... Lá fora criam-se logo novas oportunidades e podes experimentar coisas novas... tal como vias de largos em desportiva. Ou podes começar a desbundar em covas com 30 metros ou escalar em paredes de conglomerado de 300 metros! São coisas que não fazes em Portugal e certamente te enriquecem como escalador...

Ricardo Alves

RBB: Quais as escolas de escalada em Portugal onde disfrutaste mais?
M: Começei a disfrutar na Guia, onde evolui o suficiente para despois começar a disfrutar na Fenda, onde tenho evoluido até aos dias de hoje! No entanto, nos últimos tempos tenho-me divertido mais a fazer bloco por Sintra!

RBB: E fora de Portugal?
M: Para desportiva, sem dúvida que Mascún tem um encanto especial! Vias excelentes, um ambiente social fantástico e uma paisagem de sonho. Em termos de bloco, tenho um carinho especial pelo Candelario!

RBB: Sei que recentemente estiveste em Espanha, a abrir blocos numa zona nova. Como é que foi? E que potencial pensas que tem essa zona?
M: A zona chama-se Albarracín! É grande, muito grande! Abrimos pouca coisa, pois estava-mos mais interessados em escalar as linha já abertas. Aquilo é um misto de rocha de Fontainbleau com Hueco Tanks! Tem muita variedade e é um local belíssimo.

RBB: Em Portugal que zonas te dá mais prazer escalar e porquê?
M: Gosto muito de escalar na Fenda! Tenho sempre alguma via para me motivar, existe muita qualidade nas vias existentes e agrada-me muito toda a serenidade que se sente. Também gosto muito de bouldar em Sintra e arredores! É uma serra que sempre me surpreende com um novo Sector, novos blocos e pela enorme variedade de rocha existente.

RBB: És a favor ou contra “talhar” vias?
M: Tanto em bloco como em vias não sou adepto de talhar ou colar presas. Mas tb não sou fundamentalista..Cada caso é um caso e em determinadas situações muito particulares defendo que se deve possibilitar a linha! E atençao que quando digo possibilitar, é mesmo só possibilitar e não facilitar...

RBB: Que conselhos é que podes dar para quem queira começar a fazer bloco?
M: Escalar blocos!

RBB: Um dia bem passado passa por estar a escalar?
M: Não necessáriamente, mas todos os dias em que vou escalar são dias bem passados! Um dia com um projecto encadeado é um dia muito bem passado.. Um dia com uma nova linha de bloco descoberta numa qualquer zona escondida de Sintra, é um dia bem passado!

RBB: Quais os projectos para o futuro?
M: Encadear os projectos da Praia do Cavalo, fazer umas viagens e levar mais a sério a fotografia!

RBB: Se tivesses oportunidade de convidar uma destas mulheres para “blokar” quem escolherias: a) Marisa Cruz b) Josune B... c) Lyn Hill
M: Sem pensar duas vezes, levava a minha namorada!